segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sobreviventes de Peniel, voltem a Betel!

Quando somos encontrados por Deus

Amado por sua mãe, abençoado por seu pai, e odiado por seu irmão, Jacó fugiu para tentar salvar sua pele. Esaú, seu irmão gêmeo estava enfurecido depois de ter sido passado pra trás duas vezes.

Por haver saído apressadamente da casa de seus pais, não teve tempo de preparar sua bagagem. Talvez tenha saído só com a roupa do corpo e alguns poucos mantimentos preparados de última hora por sua mãe. Depois de caminhar por horas, Jacó chega a uma cidadezinha chamada Luz. Já era noite. Todos já estavam dormindo. Não querendo chamar a atenção, Jacó preferiu dormir a relento. Tomando uma pedra, improvisou um travesseiro (Gn.28:11).

Talvez não se desse conta de que naquele mesmo lugar seu avô Abraão havia tido seu segundo encontro de Deus. Foi lá que Abraão edificou seu primeiro altar (Gn.12:7-8).

Enquanto buscava uma posição confortável pra dormir, Jacó apagou. “E sonhou: Eis que uma escada estava posta na terra, cujo topo chegava ao céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela” (v.12).

Não há como ler esta passagem sem conectá-la às palavras de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo. 1:51).

A escada vista por Jacó representava o próprio Cristo, Seu mais importante Descendente, o Mediador entre o céu e a terra. Através d’Ele os anjos tiveram acesso ao Mundo dos homens, e através d’Ele os homens teriam acesso Àquele que estava no topo da escada: Deus.

“Por cima dela estava o Senhor, que lhe disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. Esta terra em que estás deitado, eu a darei a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás ao ocidente, ao oriente, ao norte e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (vv.13-14).

Até aquele momento, Jacó não passava de um fugitivo, sem eira nem beira. Seu objetivo era poupar sua vida das ameaças de seu enfurecido irmão, de quem roubara a bênção da primogenitura.

Parar em Luz era apenas mais um contratempo. Ele jamais imaginaria a experiência que teria com o Deus de seus antepassados naquele lugar.

Por mais longe que estivesse de casa, ele ainda pisava a terra destinada à sua descendência. O lugar onde estava havia sido prometido por Deus ao seu avô Abraão. Bem próximo daquele lugar Deus aparecera pela segunda vez ao patriarca hebreu, prometendo-lhe dar aquela terra por herança à sua descendência.

Aquela experiência lhe proporcionou uma visão quadridimensional da realidade, uma visão espacial e temporal. Através dela, Jacó se situou no tempo e no espaço.

Embora fugitivo, Deus o via como aquele que daria continuidade à saga de Abraão e de seu pai Isaque. A promessa de Deus não havia expirado.

Ele é convidado a olhar para trás e conferir a História, sentindo-se parte dela. E é desafiado a vislumbrar o futuro, no qual não apenas sua descendência seria abençoada, mas também serviria de bênção para todas as famílias da terra.

Quem diria... uma família desajustada como a de Jacó servindo de canal de bênção para todas as famílias do mundo! Coisas de Deus...

Jacó sabia que tinha a simpatia da mãe, e que finalmente conquistara a simpatia do velho pai, mas também sabia que isso lhe custara a inimizade de seu irmão gêmeo Esaú. Restava saber de que lado Deus estava.

“Estou contigo”, disse o Deus de seus pais, “e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra. Não te deixarei até que tenha cumprido aquilo que te tenho dito” (v.15).

Ufa! Isso era tudo que ele precisava ouvir. Ele deve ter pensado: Esta foi por pouco!

Jacó pensando em se salvar, e Deus pensando em salvar o mundo. Isso te lembra alguma coisa?

Hora de acordar!

“Despertando Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não sabia”
(v.16).

Não há nada pior do que perder a consciência da presença de Deus. Antes de Jacó chegar ali, Deus já estava. Ele não habita em templos feitos por mãos humanas. Ele não cabe dentro dos limites geográficos de uma região. Nem mesmo o Céu dos céus é capaz de contê-Lo. Ele também não é exclusividade de religião alguma. Ele não é católico, nem evangélico, nem mesmo cristão. Ele é Deus! E não há lugar no Universo onde Ele não esteja. O problema está em nossa consciência afetada por nosso estado pecaminoso.

É Sua presença que santifica tudo à Sua volta. Pergunte ao salmista se há algum lugar de onde possamos fugir da presença de Deus (Sl.139).

Assim que percebeu a presença de Deus naquele lugar, Jacó exclamou: “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus” (v.17).

Casa de Deus não é onde Deus mora, mas onde percebemos Sua presença. Não importa se dentro de uma caverna, ou no cume do Everest. Onde quer que a consciência humana se desperte, ali é a Casa de Deus, o lugar de Sua manifestação. Todos os lugares deste vasto Universo são potencialmente Casa de Deus. Neil Armstrong a sentiu quando pisou em solo lunar. Naquele momento, a Lua se tornou Casa de Deus. Deus também está em Marte! Mas lá não é Sua casa, até que a consciência chegue àquele planeta, e perceba lá a presença do Criador.

Atravessar a porta dos céus é o mesmo que ser tocado pela transcendência, adquirindo a consciência de Sua presença. Do lado de lá, do topo da escada, encontramos a grande síntese espaço/temporal. Passado, presente e futuro; aqui, ali e acolá, tudo se integra em Deus. N’Ele não há ‘agora’ e ‘depois’, nem ‘aqui’ e ‘lá’. Tudo está perfeitamente integrado n’Ele.

Foi esta experiência de transcendência que marcou o início da caminhada de Jacó.

O texto diz que Jacó se levantou ainda de madrugada, antes do sol nascer, “tomou a pedra que tinha posto por travesseiro, erigiu-a em coluna e derramou azeite em cima dela. E chamou aquele lugar Betel...” (vv.18-19a).

Para que uma pedra sirva de travesseiro, ela tem que está deitada, isto é, na posição horizontal. Ainda que não tenha a mesma maciez e conforto, ela tem quer ter, no mínimo, o formato que lembre um travesseiro. Para que ela se torne uma coluna, terá que mudar de posição. Em vez de deitada, será posta em pé. Em vez de horizontal, será erguida na vertical. E é isso que acontece quando somos encontrados por Deus! Travesseiros se tornam colunas! Tudo o que nos traz algum tipo de conforto, oferecemos a Ele em louvor.

Aquele não era um dia como outro qualquer. Merecia um monumento, algo que expressasse a grandiosidade daquela experiência. Uma espécie de marco.

Enquanto os egípcios e outros povos levantavam obeliscos (chamados na Bíblia de “postes-ídolos”), os hebreus tinham o costume de levantar altares. Um obelisco é um monumento à vaidade humana. Um altar é um monumento à glória de Deus.

Talvez por conta da pressa em fugir de seu irmão, Jacó não tenha terminado ali sua obra. Em vez de um altar completo, deixou apenas uma coluna.

Vinte anos se passariam, até que Jacó ouvisse de Deus: “Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali, e faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão” (Gn.35:1).

Deus sabia que levantar um altar demandaria mais tempo do que erigir uma coluna. Por isso, Sua ordem a Jacó foi para que habitasse em Betel por algum tempo, até que o altar fosse concluído.

Embora à esta época Jacó já houvesse tido outra experiência com Deus em Peniel, a ponto de ter seu nome mudado, ele não poderia jamais se esquecer daquele primeiro encontro. Jamais poderia esquecer que quando fugia de seu irmão, Deus o encontrou e lhe fez promessas. Portanto, aquele marco teria que ser revisitado. Voltar a Betel equivaleria voltar ao primeiro amor.

Betel representa Deus saindo ao encontro de Jacó, enquanto Peniel representa Jacó saindo ao encontro de Deus. Quando Deus vem ao encontro do homem, há comunhão. Mas quando é o homem que sai ao encontro de Deus, há colisão. Ele sempre sai machucado! De Betel Jacó saiu tão inspirado, que foi capaz de remover sozinho uma pedra que tapava um poço, que precisava de pelo menos quatro homens para remover, a fim de saciar a sede das ovelhas. Mas de Peniel Jacó saiu mancando de uma perna. Toda vez que o homem se acha no direito de tomar qualquer iniciativa, chegando ao ponto de agendar um encontro com Deus, ele sai machucado, senão fisicamente, pelo menos emocionalmente. Tenho visto muitos casos... Gente que nunca mais se recuperou de algo que se apresentava como 'cura interior', mas que se revelou depois como uma chaga incurável.

Betel representa o homem acolhendo o dom de Deus, dado espontaneamente. Peniel representa o homem tentando arrancar algo de Deus à força. Betel representa a Graça, Peniel representa a Lei. Betel representa o reino entre nós, Peniel representa o reino tomado à força.

Se Peniel tivesse maior importância do que Betel na vida de Jacó, Deus lhe teria enviado de volta a Peniel para edificar um altar, não a Betel.

Talvez alguém diga: Mas não foi em Peniel que Jacó foi abençoado? Não! Em Peniel ele teve seu nome mudado. O lugar onde ele finalmente foi abençoado diretamente por Deus foi em Betel, quando para lá voltou e edificou o altar. Confira:

“Edificou ali um altar, e chamou àquele lugar El-Betel, porque ali Deus se lhe tinha manifestado, quando fugia de seu irmão (...) Deus lhe apareceu de novo, e o ABENÇOOU.. Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó, mas não te chamarás mais Jacó; Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel” (35:7,9-10).

O lugar da bênção foi o mesmo lugar onde lhe fora feita a promessa.

Deus está chamando Seu povo de volta a Betel!

Quando erigiu a coluna que mais tarde daria sustentação ao altar, Jacó derramou azeite sobre ela. Ao ungi-la, o patriarca indica claramente o que ela representava: Cristo, o Ungido. E não só isso: aquela coluna representava o Seu Corpo na Terra, isto é, a Igreja de Deus. Ou não isso que diz o apóstolo Paulo, ao referir-se à igreja do Deus vivo como “casa de Deus” e “coluna e esteio da verdade” (1 Tm.3:15)? A unção derramada sobre Cristo, o Cabeça, desceu até nós, Seu Corpo (confira 2 Co.1:21 e 1 Jo. 2:20,27).

É interessante ressaltar que Betel foi a primeira parada, tanto na peregrinação de Abraão, quanto na fuga de Jacó.

Abraão deixou ali um altar completo. Jacó deixou ali uma coluna para mais tarde edificar um altar.

Onde foi parar o altar deixado por Abraão? Provavelmente se desfez com o tempo. A erosão, as freqüentes tempestades de areia comuns no deserto, ou talvez seus inimigos, são alguns dos possíveis responsáveis pelo desaparecimento daquele altar construído às pressas. Se ele ainda estivesse lá, Jacó o saberia.

Se Jacó construísse às pressas um altar semelhante ao de Abraão, vinte anos depois talvez houvesse desaparecido.

Deus sabe que uma obra duradoura demanda tempo para ser concluída. Por isso, ordenou que Jacó retornasse a Betel para concluir seu altar. Porém, desta vez, não mais como um fugitivo, mas como um habitante de Betel.

Muitos pastores querem fazer suas igrejas crescerem rapidamente a qualquer custo. Em nome de suas estratégias mirabolantes, muita gente sai machucada. Para levantar uma coluna, basta algumas poucas horas, mas pra se levantar um altar duradouro, necessitamos tempo. E isso faremos como habitantes de Betel, e não como fugitivos.

Tenho a impressão de que a igreja contemporânea tomou o caminho inverso. Em vez de transformar travesseiros em altares, tem transformado altares em travesseiros. Tornamo-nos a Bela Adormecida do conto de fadas, à espera do Príncipe Encantado para despertá-la. Somos o Gulliver da fábula, que por não saber a força que tem, deixa-se dominar pelos habitantes da ilha, que o prende com cordas que mais parecem linha de carretel.

Hora de acordar, igreja!

O que tem sido pregado em muitos púlpitos parecem canções de ninar, que só produzem sonolência espiritual nos fiéis. A igreja de Cristo precisa acordar de sua letargia e alienação, e engajar-se na transformação do Mundo.

Ora, se ela é coluna, logo concluímos que ela é apenas o ponto de partida de algo ainda maior.

A coluna está destina a ser transformada em altar. E o altar é pontapé inicial para a edificação do Templo.

Este Templo cresce de dentro para fora. Paulo diz que em Cristo, “todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor” (Ef.2:21).

Em Sua primeira passagem por este Mundo, Jesus lançou-Se como Pedra Fundamental, ou ainda, como coluna na construção do Templo de Deus. Dez dias depois de Sua ascensão ao céu, Ele enviou o Seu Espírito para que habitasse conosco para sempre, e através de nós edificasse o Seu Templo definitivo na Terra.

Ele não tem pressa. Ele está reunindo pedra por pedra, tijolo por tijolo, e assim, erigindo um altar que jamais será desfeito pela erosão do pecado.

A igreja é, por assim dizer, o gérmen da Nova Humanidade.

Este Templo que Deus está a construir é a civilização do Reino.

O problema é que a igreja se acha um fim e si mesma, e por isso, se fecha, se enclausura, vive uma espiritualidade ensimesmada.

Uma coisa é Jacó foragido, com pressa. Outra coisa é Jacó recebendo de Deus a ordem para habitar em Betel.

Betel também representa o mundo ao nosso redor. Não é um lugar sagrado em si mesmo. Mas um lugar que se sacraliza aos olhos daqueles que têm sua consciência iluminada pela presença de Deus.

Nosso lugar de encontro com Deus é o mundo. É nele que temos que construir nossos altares.

Acredito piamente que Deus está nos mandando de volta ao Mundo. Mas dessa vez, não como foragidos, mas como habitantes permanentes.

Geralmente se focaliza apenas quando Jesus diz: “Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou” (Jo.17:16). Mas se esquece que logo em seguida, Ele também diz: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v.18).

Desde que Deus colocou os pés neste chão, o Mundo passou a ser terra santa. Ele é o lugar de encontro entre Deus e os homens.

Lembre-se que a escada vista por Jacó era colocada na terra. Seus pés estão fincados no chão, e não no ar.

Lemos em Gênesis 32:1-2:

“Jacó também seguiu o seu caminho, e os anjos de Deus o encontraram. Quando Jacó os viu, disse: Este é o acampamento de Deus. E chamou àquele lugar Maanaim.”

A Terra inteira é o Maanaim de Deus. Deus a escolheu para nela armar Sua tenda. Por isso, é quando seguimos nosso caminho no chão desta vida, que somos encontrados pelos anjos de Deus.

Era como se Jacó pensasse: Bem, se lá em Betel é a casa de Deus, aqui só pode ser Seu acampamento. Ele mora lá, mas acampa aqui.

O que ele talvez não soubesse é que Deus habita e acampa em todo lugar. Toda a Terra está cheia de Sua glória.

Deixemos que os anjos de Deus nos encontrem enquanto trilhamos os caminhos da vida. Deixemos que os sinais nos sigam. Deixemos que as bênçãos nos persigam e nos alcancem, enquanto caminhamos pelas sendas desta vida.

Não precisamos nos enclausurar em retiros, em montes, em cultos intermináveis, em vigílias para extrair algo de Deus. Precisamos nos voltar para fora de nós mesmos, servindo a Deus, enquanto servimos àqueles que encontramos no caminho.

Que sejamos conhecidos, não como aqueles que prevaleceram contra Deus, mas que foram vencidos por Seu amor, e que, agora, difundem Seu suave perfume por onde andam.

Christus Victor!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Deus esteve em Woodstock

Há quarenta anos acontecia numa cidadezinha chamada Bethel, há 80 km de Woodstock, interior do estado de Nova York, o maior festival de Rock da história.

Meio milhão de jovens se reuniram entre 15 e 17 de agosto de 1969, para ouvir algumas das mais importantes bandas de rock da época, debaixo de muita chuva e em cima de muita lama.

Woodstock não foi apenas um festival de rock. Foi uma espécie de oficialização do rompimento daquela geração com os valores que norteavam a sociedade ocidental pós-guerra. No imaginário coletivo foi o momento e o lugar nos quais o inconformismo e a rebeldia de uma geração castigada pela Guerra do Vietnã se manifestaram plenamente.

Interessante que o nome Bethel nos remete ao lugar em que Jacó se encontrou com Deus pela primeira vez. Foi lá que ele, depois de ter fugido da casa de seus pais para não ser assassinado por seu raivoso irmão, viu o céu aberto, e anjos que transitavam entre o céu e a terra. A pedra que o patriarca usou como travesseiro, foi erigida como altar, e o lugar passou a ser chamado “casa de Deus” (Bethel, em hebraico).

Milhares de anos depois, uma multidão de jovens se reúne num lugar com o mesmo nome, para erigir um novo altar.

Na cultura semítica, altares eram erigidos como marcos, que identificavam o início de uma nova jornada, ou pelo menos, uma escala importante em uma jornada já começada.

A partir de Woodstock, aquela geração passou a enxergar o mundo dividido em dois grupos, “nós” e “eles”. E o pronome “eles” era aplicado principalmente aos pais.

O abismo entre gerações que antes era velado, e se dava de maneira discreta e quase silenciosa, agora tomava uma proporção inédita.

- Não queremos ser cúmplices do que vocês estão fazendo com o mundo! Diziam eles. - Queremos reinventar o mundo, sem guerras, sem fome, sem hipocrisia, onde impere a paz, o amor e o prazer.

Sem dúvida, aquela foi uma geração idealista e sonhadora. “Faça amor, não faça guerra” era o seu lema.

Mas naquele Bethel faltou o principal: A conexão com o Deus de Jacó!

No lugar de Deus, eles entronizaram outra trindade: droga, sexo e rock’n roll.

Quarenta anos depois, podemos verificar o que ficou de positivo ou negativo da rebeldia idealista da geração que contestou e mudou nossa visão do mundo.

Woodstock revelou ao mundo a força que tem a juventude. E talvez a maior glória daquela geração tenha sido arrancar os Estados Unidos do Vietnã. Seu exemplo repercute até hoje no ativismo em defesa do meio ambiente e de outras causas justas.

O jovem passou a ser visto como o centro do universo do consumo, o que até hoje pode ser verificado através do constante apelo publicitário direcionado a este público.

Infelizmente, aquele engajamento político e idealista não perdurou muito tempo. Aquela geração sequer conseguiu contagiar seus filhos com sua utopia. Por conta disso, as gerações seguintes perderam o interesse de mudar o mundo, voltando a priorizar a ascensão profissional e social.

As drogas que ingenuamente foram experimentadas como uma maneira de aguçar a percepção se tornaram instrumentos de fuga da realidade e de alienação. E o pior é que abriram a porta para o uso de drogas cada vez mais pesadas, cuja proliferação é a responsável pela difusão da criminalidade. O amor livre, antes pregado com orgulho e praticado sem o menor escrúpulo, revelou-se como promiscuidade, o que provocou um dos maiores pesadelos da juventude das décadas de 80 e 90: a Aids.

Até a música, antes usada para contestar, vendeu-se às grandes gravadoras e se tornou em mais um instrumento alienante da juventude.

Pelo que tudo indica, o sonho acabou.
Mas nem tudo está perdido. Deus está convidando a nossa geração para um reencontro em Bethel. Um Woodstock onde o lema “Paz e Amor” receba a inclusão da palavra “Graça”. Um lugar onde as gerações se reencontrem e celebrem a possibilidade de um novo mundo. Em vez de abrir-se um abismo entre gerações, construiremos uma ponte para interligá-las.

Jacó estava fugindo da realidade, imaginando que poderia romper com tudo, e começar uma nova história. Mas em Bethel, Deus lhe apareceu em sonho para dizer-lhe:

“Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. Esta terra em que estás deitado, eu a darei a ti e à tua descendência” (Gn.28:13).

Agora Jacó se via situado no tempo e no espaço. A ponte entre nós, as gerações que nos antecederam e as que nos sucederão só será possível se houver uma escada que nos ligue aos céus.

Na linguagem da geração Woodstock, Jacó teve o maior barato. Ele viu que havia uma ligação entre o céu e a terra. E é esta ligação que possibilita o ajuste entre nós, nossos contemporâneos, nossos antecessores e nossos sucessores.

Jacó, embasbacado com o que via, expressou-se: "Deus estava aqui e eu não sabia". Da mesma maneira, Deus estava em Woodstock naqueles três dias, mas ninguém ficou sabendo. Diz-se que algumas bandas como The Doors foram convidadas, mas preferiram não participar, achando que o festival seria um fiasco, por ser realizado num ambiente rural, em vez de no Central Park em Nova York. Tais bandas se arrependeram amargamente. Deus, mesmo não sendo convidado, fez questão de estar lá, conferindo in loco a angústia e os anseios daquela geração perdidamente sonhadora. Ele passeava entre os corpos nus e enlameados, compadecendo-Se de uma multidão que era como ovelhas sem pastor (Mt.9:36).

Sim, Deus esteve em Woodstock, mas não tocou alarde. Preferiu a discrição. Em outras palavras, Ele simplesmente deixou rolar. E a chuva que enviou não foi com a intenção de estragar a festa, antes, representava a Sua incompreensível Graça. Pena que ninguém ficou sabendo. Janis Joplin e Jimi Hendrix morreram sem saber. Talvez se tivessem sabido, ainda estariam por aí, nos brindando com suas habilidades musicais.

Creio firmemente que um novo Woodstock precisa acontecer. Não me refiro ao festival em si, mas àquilo que representou para o mundo. A atual geração está passando por uma fermentação que resultará em algo vultuoso, com desdobramentos espirituais, sociais e culturais. A qualquer momento eclodirá o despertar de uma nova visão de mundo. Um Woodstock pleno, sem drogas, sem promiscuidade, mas com graça, paz e amor.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

É por isso que estamos aqui!



Entre muitas coisas, a canção diz: "Meu pequenino, Eu vivo para mudar seu mundo, Eu vivo para mudar seu mundo. Oh, como mudaste meu mundo! Saiba que a bondade de Deus fará um caminho. Ele já fez um caminho".

Peço a Deus que desperte o Seu povo ao redor do Mundo, para que assuma seu papel transformador. Em vez de ficar de braços cruzados, esperando ser tirado daqui, deveríamos nos envergonhar e proclamar um cristianismo engajado na restauração do mundo, e na edificação da Civilização do Reino de Deus.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Como resgatar a credibilidade da Igreja Cristã?

Que outro grande salto devemos esperar?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Crepúsculo das Eras



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Christus Victor! Semper Invictus!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Para além do óbvio e do conveniente

A contagem regressiva já havia começado. Em algumas horas, Jesus seria entregue aos Seus algozes. Ainda assim, Ele desejou celebrar a última festa com Seus discípulos. Não era uma festa comum. Tratava-se da mais importante celebração do povo judeu: a Páscoa.

Já havia o propósito, só faltavam os preparativos. Jesus, então, envia Pedro e João com a missão de preparar-Lhe a Páscoa.

Imbuídos da missão, eles perguntam: "Onde queres que a preparemos?" (Lc.22:9).

Não basta o propósito certo, no momento certo. Importa saber o lugar certo. É Deus quem determina o lugar que servirá de cenário para a execução de Seu propósito.

Jesus poderia simplesmente dar-lhes um endereço. Seria mais conveniente. Mas Ele não costuma ser tão óbvio. Ele prefere nos dar pistas, para que encontremos por nós mesmos o lugar escolhido.

Veja a resposta que Jesus lhes dá:

"Quando entrardes na cidade, encontrareis um homem levando um cântaro de água. Segui-o até a casa em que ele entrar" (v.10).

Não tinha um sinal melhor do que um homem carregando um balde d'água? Que tal uma estrela no céu, como a que guiou os magos?

O problema é que somos viciados em coisas extraordinárias. Queremos o espetáculo, só pra ter o que contar mais tarde. Mas nem sempre os sinais enviados por Deus são espetaculares. É preferível um sinal ordinário que nos leve direto ao ponto, do que sinal extraordinário como a estrela de Belém, que antes de nos levar ao recém-nascido, faça uma breve escala no palácio de Herodes.

Provavelmente, aquele homem era um servo, um escravo, que havia saído em busca de água para o seu senhor.

Não parecia razoável ter que seguir alguém como ele. O que ele tinha para oferecer?

O Senhor das circunstâncias é aquele que promove conexões misteriosas. Ele é o arquiteto das contingências, que promove encontros inusitados.

Se quisermos encontrar o lugar certo, peçamos a Deus que faça com que as pessoas certas cruzem nossos caminhos. Não é o que elas possam oferecer que importa, e sim aonde elas podem nos levar.

Aparentemente, aquele escravo não tinha nada a oferecer para contribuir no preparo da festa para Jesus. Mas ele era a pessoa certa, que conduziria os discípulos ao lugar determinado.

Temos que cuidar para que não nos deixemos extraviar, seguindo às pessoas erradas. Nem podemos sair em busca de pessoas por aquilo que elas tenham a oferecer. Essas devem ser amadas pelo que são, e não pelo que possuem.

Muitos acham que podem pegar carona na fama de celebridades que se convertem, achando que isso poderia trazer algum benefício ao Evangelho. A causa do Reino jamais precisou disso. Geralmente, são pessoas anônimas e humildes que são usadas por Deus, para nos conduzir aos lugares certos.

Seguindo-o, os discípulos entraram na casa onde trabalhava. Jesus os orientou: "Dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde está o aposento em que comerei a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado. Fazei aí os preparativos" (vv.11-12).

Somente famílias muito ricas e importantes da sociedade tinham um grande cômodo destinado às refeições. O cenáculo não era uma sala qualquer. Era como um salão de festa, todo mobiliado com uma grande mesa e muitas cadeiras. Sempre que havia uma festa, familiares vinham de várias partes para celebrar.

Talvez, quando Pedro e João viram o lugar, se espantaram com seu tamanho, e com o número exagerado de cadeiras. Afinal, aquela ceia seria para apenas treze pessoas, contando os discípulos e Jesus. Pra quê tanto espaço? E aquelas cadeiras que ficariam vazias?

Para aqueles discípulos responsáveis pelos preparativos da Páscoa, aquele lugar lhes serviria apenas como cenário para aquela festa. Mas Jesus tinha outros planos...

Cristo via para além do horizonte imediato. Aquele cenáculo Lhe seria útil mais de uma vez.

Em Atos, somos informados que tão logo Jesus ascendera ao céu, os discípulos "subiram ao cenáculo, onde permaneciam" (Atos 1:13). Ficamos sabendo que além dos apóstolos, também estavam lá as mulheres, Maria, mãe de Jesus, e seus irmãos. Ao todo, totalizavam quase 120 pessoas! (vv.14-15).

Enquanto Pedro e João preparavam a ceia de Páscoa, eles pensavam apenas nos doze (contando com Jesus, treze). Mas Jesus já pensava nos quase 120 que ali permaneceriam à espera da Promessa do Espírito Santo.

"Cumprindo-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados" (2:1-2).

Repare que Jesus havia dito que o cenáculo que eles encontrariam estaria todo mobiliado. Agora, somos informados que todos os quase 120 discípulos reunidos estavam devidamente aconchegados, sentados, quando o Espírito finalmente foi derramado.

Pedro e João se preocupavam com a Páscoa. Jesus já preparava o cenário para outra festa: Pentecoste.

Deus sempre foca o futuro. Ele nunca exagera na pitada. Sua provisão abarca necessidades que ainda surgirão.

E no cenário/cenáculo provido por Deus, há lugar para todos. Ninguém precisa tomar o lugar do outro. Ele garantiu que nos prepararia lugar, e de fato, preparou.

Para encontrarmos nosso lugar, sigamos a pista certa. Lembrando que nem sempre é óbvio, ou mesmo conveniente. Deixemos que Ele escolha os canais, aqueles que carregam cântaros de água, que nos levarão ao lugar certo.

Igreja Patética ou Profética?

De heróis da fé à bôbos da corte

“Porém, se vós e vossos filhos de qualquer maneira vos apartardes de mim, e não guardardes os meus mandamentos, e os meus estatutos, que vos tenho proposto, mas fordes, e servirdes a outros deuses, e vos prostrardes perante eles, então destruirei a Israel da terra que lhes dei; e a esta casa, que santifiquei a meu nome, lançarei longe da minha presença; e Israel será por provérbio e motejo, entre todos os povos.” 1 Reis 9:6-7

“E entregá-los-ei para que sejam um prejuízo, uma ofensa para todos os reinos da terra, um opróbrio e um provérbio, e um escárnio, e uma maldição em todos os lugares para onde eu os arrojar.” Jeremias 24:9

Tal qual ocorreu com Israel, tem ocorrido com a igreja em nossos dias. Paulo já havia nos advertido de que tudo o que ocorrera a Israel serve de aviso para nós.

Tornamo-nos motivo de piada e chacota por parte daqueles que zombam de nossa fé. E por quê? Porque tornamo-nos uma caricatura muito mal feita daquilo que Deus desejou que fôssemos. Dobramo-nos ante os deuses deste século. Não os deuses de pau, de pedra, de metal, mas os ídolos ideológicos, o consumismo, o mercado, o fetichismo, etc. A teologia da prosperidade é um triste exemplo disso. Os crentes são levados a acreditar que a felicidade é encontrada na aquisição de bens materiais.

O mundo nos adestrou, nos domesticou, e agora, servimos de espetáculo, não como gladiadores ou mesmo como mártires, mas como bôbos da corte. É verdade que as Escrituras afirmam que seríamos um espetáculo aos homens, aos anjos e ao mundo, mas não um espetáculo circense, um show de horrores (1 Coríntios 4:9).

À exemplo do que ocorreu a Sansão, nossos olhos foram vazados, fomos alijados da fonte de nossa força, e agora, o mundo se diverte às nossas custas. Tornamo-nos mais uma engrenagem do sistema corrompido que prevalece neste mundo. Como Sansão, deixamos de ser uma ameaça ao Status Quo para nos tornarmos trabalhadores braçais no moinho dos filisteus. Se antes inspirávamos admiração, agora provocamos gargalhadas. Como bem expressou o salmista: “Tu nos pões por opróbrio aos nossos vizinhos, por escárnio e zombaria daqueles que estão à roda de nós. Tu nos pões por provérbio entre os gentios, por movimento de cabeça entre os povos" (Sl.44:13-14).

Quem poderia levar a sério uma igreja patética como a dos nossos dias?

Basta olhar às manifestações bizarras atribuídas ao Espírito Santo para dar-se conta disso.
Urge resgatarmos a dimensão profética de nosso sacerdócio.

Uma igreja profética tem que estar engajada na transformação da sociedade. E para isso, ela não tem o direito de alienar-se. O profeta é aquele que constata e contesta. Sem constatação não há contestação. Como ele pode denunciar o que não sabe?

Como constataremos se nossos olhos foram vazados?
Como contestaremos se estamos trabalhando no moinho de Dagon?

A igreja contemporânea deu as costas ao mundo. Seus olhos estão vazados, e por isso, está impossibilitada de enxergar à realidade com olhos críticos.

Além da dimensão profética, urge também resgatarmos a dimensão poética da mensagem cristã.

Se nos ativermos ao profetismo, poderemos nos tornar pessoas insuportáveis. Não basta denunciar o erro, temos que anunciar o que é certo. E de que maneira devemos fazê-lo?
Muitos pregadores acham que o caminho é apologético. Porém, poucos frutos advêm da apologética. Um coração incrédulo não se dispõe a reconsiderar seus posicionamentos. Em bom português, ninguém dá o braço a torcer. Se não logramos êxito pelo caminho da razão, que tal buscarmos o caminho do coração? Em vez de apologética, que tal a via poética?

A Bíblia é um livro poético por excelência. Seu primeiro capítulo é uma narrativa poética de como tudo começou, cujo objetivo é revelar ao coração humano o amor e o cuidado de Deus pela criação. É perda de tempo buscar exatidão científica, ou simplesmente tentar conciliar o texto bíblico com o rigor do método científico.
Aliás, nas Escrituras, os livros poéticos estão dispostos antes dos proféticos. Os Salmos que formam o maior livro da Bíblia é pura poesia.

O que são as parábolas senão poesia?
Já li em algum lugar que os manuscritos mais antigos dos Evangelhos trazem as palavras de Jesus ditas em versos rimados. Não duvido disso. Jesus é o Poeta dos poetas.

A via profética aponta para a ética, enquanto que a via poética para a estética. O profeta fala do que é bom, enquanto o poeta mostra o que é belo.

É o equilíbrio entre a dimensão profética e a dimensão poética que vai impedir que a igreja caia no fosso do patetismo.
Desta maneira, o mundo olhará para nós com admiração, tanto pelo bem que pregamos, quanto pela beleza com que nos expressamos.

Sonambulismo Espiritual

O sonambulismo é um transtorno do sono durante o qual a pessoa pode apresentar habilidades motoras simples ou complexas. O sonâmbulo é capaz de andar, urinar, comer, realizar tarefas comuns e mesmo sair de casa, enquanto permanece inconsciente e sem possibilidade de comunicação. Embora seja difícil acordar um solâmbulo, não é perigoso fazê-lo. É mais comum em crianças e adolescentes. Recentemente houve um caso no qual um homem escalou uma montanha durante o sono, e acordou apenas lá em cima. O incrivel é que bombeiros cheios de equipamentos e outros levaram horas para escalar a montanha para o resgate, já que a montanha era muito íngreme.

Podemos verificar que há um paralelo entre o sonambulismo e o estado em que se encontra a igreja contemporânea.

Fala-se de "moveres", "movimentos", "avivamentos", que revelam uma igreja adolescente, susceptível a qualquer vento de doutrina. Porém, falta a consciência renovada. É como se o corpo estivesse agindo por reflexo, e não por ordem enviada do cérebro.

Tal qual o sonâmbulo, a igreja perdeu a lucidez, e por conta disso, alienou-se da realidade. Daí a dificuldade que tem de interagir com o mundo.

Mesmo que, aparentemente, de olhos abertos, está adormecida. Os crentes perderam o senso crítico, e estão como que hiptonizados por líderes com mentes igualmente cauterizadas.

Confunde-se avivamento com gritos, histeria coletiva, pulos, e até gargalhadas. Mas não sobra lugar para o quebrantamento e o arrependimento.

Em Efésios 5:14, encontramos a seguinte exortação: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará".

Há muita gente se levantando em nossos dias, porém, sem antes se despertar. É justamente isso que faz o sonâmbulo. Ele se move, se veste, e se deixar, sai de casa, expondo-se ao perigo iminente.

Um genuíno levante provocado pelo Espírito Santo deve ser precedido de um autêntico despertamento. A consciência tem que ser renovada! A realidade à nossa volta não pode ser ignorada.

O sono tem cinco estágios durante os quais as ondas cerebrais diminuem de intensidade até atingir um profundo estado de relaxamento. A baixa atividade se mantém no hipotálamo, ligado à consciência, e no córtex cerebral, que controla os movimentos do corpo. No caso dos sonâmbulos, essas ondas, vindas de uma área do cérebro chamada ponte, são irregulares. Por isso não cumprem a contento a função de inibir a região motora. Como as áreas motoras permanecem ativas, o sonâmbulo é capaz de se sentar, andar e trocar a roupa.

Já a área relacionada à consciência, no hipotálamo, se mantém quase inativa. E isso explica porque quem sofre desse distúrbio não percebe o que faz nem se lembra de nada no dia seguinte.

Daí o fato da igreja contemporânea exibir uma memória tão curta. É como se houvesse um lapso no tempo entre o livo de Atos dos Apóstolos e os nossos dias. Onde estivemos durante esses quase dois mil anos? A maioria dos crentes sequer tem noção das realizações dos crentes da geração anterior. Cada novo "mover", faz desaparecer da memória tudo o que aconteceu anteriormente. E interessante que cada novo movimento se autoproclama o último, o que precede a volta de Cristo. Porém todos estão fadados ao esquecimento, pois são resultantes de uma igreja sonâmbula.

Paulo diz que devemos estar ligados à Cabeça que é Cristo, agindo de acordo com as órdens que dela recebermos. Não agimos por reflexo, mas sob o comando do Espírito de Cristo que habita em nós.

O que precisamos não é de mais uma revelação poderosa, nem uma nova unção, mas tão-somente de um despertamento, que nada mais é do que acordar para a realidade, interagir com ela, trabalhando pela sua transformação.

Está na hora da igreja despir-se deste pijama com a qual tem estado vestida por pelo menos duzentos anos. Quem vai à guerra de pijamas?

Vale aqui a recomendação de Paulo:

"E fazei isto, conhecendo o tempo. Já é hora de despertarmos do sono... A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz" (Rm.13:11a,12)

Infelizmente, a maioria imagina que está anoitecendo, e que as coisas tendem a piorar, preparando o cenário para a volta de Jesus. Porém, as Escrituras afirmam outra coisa. O dia está clareando. A partir da Cruz, surge um novo dia, que gradativamente vai rasgando as trevas, e preparando o cenário para o surgimento do Sol da Justiça.

Por isso Jesus é apresentado em Apocalipse como a Estrela da Manhã. Ele é que anuncia a chegada do novo dia. De Adão a Jesus, as trevas predominaram, e alcançaram seu apogeu na Cruz. Mas a partir daí, as trevas cedem lugar à Luz, e em breve será Dia Perfeito.

Estamos vivendo no aurora do novo dia. Hora de aposentar os pijamas.

“Mas a vereda do justo é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18).
Recomendo que assistam ao vídeo abaixo postado para melhor compreensão desta mensagem.

Igreja Sonâmbula: Muito movimento, pouca consciência

terça-feira, 12 de maio de 2009

Muito movimento, pouca consciência

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A Cruz e a subversão da ordem

Uma das características do ministério de Jesus era a coerência. Ele não apenas pregava uma mensagem, mas Ele era a própria encarnação da mensagem. E para isso, Ele Se dispunha a ir às últimas conseqüências.

Por várias vezes, Jesus afirmou que no reino de Deus “os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos” (Mt.19:30; 20:16; Mc.10:31; Lc.13:30).

Em outras palavras, quem quiser seguir os passos de Jesus, deve colocar-se como o último na fila de prioridades, deixando que todos estejam à sua frente. Quem assim faz, é visto por Deus como Sua prioridade. Porém, aquele que se acha mais importante que todos, colocando-se como o primeiro da fila, Deus o coloca por último.

Paulo repete o mesmo princípio em sua epístola aos Filipenses: “Cada um considere os outros superiores a si mesmo” (2:3b). E em Romanos: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (12:10).

Jesus viveu tal princípio intensamente, fazendo-Se servo de todos à Sua volta. Mas é durante Seu suplício que esse princípio é colocado à prova.

Quem não priorizaria Sua própria vida em face da morte?

Vejamos como Jesus agiu, lembrando que Ele deixou-nos exemplo, para que sigamos Suas pisadas (1 Pe.2:21).

Quais foram Suas prioridades naqueles momentos de profundo sofrimento?

1 – Gerações Futuras

Enquanto caminhava em Sua via-dolorosa, Jesus avistou um grupo de mulheres comovidas pelo Seu sofrimento. Veja Sua reação:

“Seguia-o grande multidão, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos” (Lc.23:27-28).

Não significa que Jesus não Se importasse com aquele gesto de carinho. Ele apenas quis realinhar o foco daquelas mulheres, projetando-o para as gerações futuras.

Era por tais gerações que Ele estava padecendo, a fim de garantir-lhes um futuro.

Precisamos aprender com Jesus a priorizar o futuro. Em vez de focarmos nas tribulações presentes, devemos focar no testemunho que deixaremos para as gerações que nos sucederem. Este será o nosso legado.

2 – Seus inimigos

Durante o auge de Seu sofrimento, Jesus priorizou o bem de Seus inimigos, suplicando ao Pai que os perdoasse.

“Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali crucificaram Jesus e com ele os dois criminosos, um à direita e outro à esquerda. Jesus disse: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc.23:33-34a).

Jesus sabia que muitos daqueles inimigos eram seguidores em potencial. E a prova de que estava certo é que ao dar o último suspiro, o centurião responsável pela crucificação exclamou: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus!” (Mc.15:39).

3 – Seu próximo

Quem é nosso próximo? Foi esta a pergunta que um doutor da Lei fez a Jesus. Com uma parábola, conhecida como “O Bom Samaritano”, Jesus revelou que nosso próximo é aquele com quem nos deparamos na jornada da vida, independente de que as circunstâncias sejam boas ou más.

Durante Seu suplício, ninguém estava tão próximo de Jesus do que aqueles ladrões que morriam ao Seu lado.

Mesmo esvaindo em sangue, Jesus ainda encontrou forças para expressar Seu amor pelo moribundo que suplicou: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino.” Aquele clamor não podia ficar sem resposta. Por isso, Jesus ignorou Suas dores, buscou as últimas forças que Lhe restavam, e respondeu: “Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc.23:42-43).

Não temos o direito de achar que o mundo nos orbita. Embora Jesus fosse o centro de toda a Criação, naquele momento Ele voltou toda a Sua atenção para um homem considerado refugo da sociedade.

Jesus poderia ter repreendido aquele homem, dizendo: - Você não está vendo a minha situação? Quando as coisas melhorarem para mim, quem sabe eu encontre um tempo para me preocupar com você?

Temos a tendência de valorizar nosso sofrimento, esquecendo daqueles que sofrem à nossa volta.
Não deixe pra lembrar-se deles quando as coisas melhorarem. Lembre-se deles agora, enquanto as dores transpassam sua alma.

4 – Sua família

Já quase expirando, Jesus volta Sua atenção para a pessoa mais importante de Sua vida terrena: Sua mãe, que a esta altura, estava viúva, e necessitaria de alguém que cuidasse dela em sua velhice.

“Vendo Jesus ali a sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua mãe. Dessa hora em diante o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo.19:26-27).

Jesus destaca o discípulo em quem mais confiava, para amparar Sua velha mãe.

Interessante que Sua primeira prioridade são as gerações futuras, mas isso não ofusca Sua responsabilidade com a geração que O antecedeu.

Infelizmente, nossa sociedade hedonista e consumista não dá a mínima para os anciãos. Esses são considerados pessoas inúteis, um espécie de “mal necessário”, e acabam abandonados em asilos ou em quartinhos cheirando a mofo nos fundos de casa.

Temos uma dívida de gratidão com quem nos gerou, criou e educou. Nossos filhos estão assistindo à maneira como tratamos nossos pais, e certamente, reproduzirão em nós o mesmo tratamento. Se plantarmos amor e cuidado, colheremos o mesmo.

5 – A Si mesmo

Cada prioridade equivale a um círculo. Somos o círculo do meio, o menor, e o último, contando de fora pra dentro.

Jesus deixou-Se por último.

“Mais tarde, sabendo Jesus que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede!” (Jo.19:28).

Repare nisso: “Mais tarde”. Será que aquela sede surgiu de repente? Ou será que Ele já a sentia mesmo antes de ser levado à cruz? Por que não a expressou antes? Pelo simples fato de que esta não era Sua prioridade.

Para o ladrão penitente, Jesus disse "Hoje mesmo!". Mas para a Sua própria necessidade, Ele disse: "Mais tarde!"

Embora colocando-Se por último, o Pai O exaltou soberanamente, dando-Lhe um nome sobre todos os nome (Fp.2:9).

Estaríamos prontos para cultivarmos o mesmo sentimento que houve em Cristo? Estaríamos dispostos a levar isso às últimas conseqüências, como fez Jesus?

Estou certo de que a mensagem da Cruz é muito mais ampla e profunda do que temos imaginado. Basta prestarmos um pouco mais de atenção. Ela é um atentado ao orgulho humano, e por isso mesmo, é a única mensagem capaz de transformar o Mundo, tornando-o um lugar mais justo e digno de se viver.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Palestra inicial do I Fórum Igreja do Futuro



Vale a pena assistir o resto da palestra em nosso canal no Youtube.

sábado, 21 de março de 2009

Jejum de Eletricidade pelo Futuro da Humanidade



Durante uma única hora, em um único dia do ano, milhares e milhares de pessoas ao redor do mundo apagarão suas luzes ao mesmo tempo. Este gesto simbólico acessível a todos que desejarem participar, vai acontecer no dia 28 de março, sábado, no horário das 20:30 às 21:30 aqui no Brasil.

A previsão é que a campanha bata todos os recordes, graças à participação de um número ainda maior de cidades, empresas e pessoas comuns neste evento de proporções mundiais em prol de uma maior conscientização a respeito do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Ajude-nos a divulgar!

sexta-feira, 13 de março de 2009




















Pra quem está fora do Rio de Janeiro, basta clicar sobre a imagem para ouvir a rádio ao vivo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Em sintonia com o coração do homem pós-moderno

Creio que a Igreja do Futuro deve aprender a ouvir o coração do Mundo, isto é, se compadecer e discernir os anseios da alma humana, buscando correspondê-los.

Mas para discerni-los, temos que estar atentos, não apenas àquilo que seus lábios e atitudes dizem, mas também à sua produção cultural. Muito daquilo que o ser humano não consegue exprimir através de palavras, é comunicado através da arte e da cultura de um modo geral.

A igreja contemporânea se afastou da realidade. Parece que a forte ênfase nos carismas fez com que nos especializássemos na língua dos anjos, e desaprendêssemos a língua dos homens. Precisamos de uma espécie de tecla SAP, para discernirmos o que se passa na alma humana.

Mesmo conhecendo a fundo o vernáculo celestial, Jesus discerniu o anseio do coração de um ancião chamado Nicodemos, e falou-lhe usando sua própria linguagem. O tal “novo nascimento” foi a metáfora escolhida por Jesus para falar-lhe de uma realidade tão profunda que não encontra palavras em nenhum idioma terreno. Surpreso pela incapacidade do mestre fariseu em entender a metáfora, Jesus questionou: “Se vos falei de coisas terrestres e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo.3:12).

Jamais foi intenção de Jesus impressionar a quem quer que fosse com Seus discursos. Suas parábolas visavam facilitar a compreensão, trazer a realidade celestial para dentro da linguagem humana. Embora nossas Bíblias usem linguagem rebuscada, os textos mais próximos dos originais foram escritos no grego koiné, isto é, na linguagem das ruas.

Hoje, a igreja cristã peca por querer impressionar o mundo com uma linguagem pra lá de espiritual.

Tornamo-nos um gueto com nossos próprios jargões e clichês. Achamos que nos aproximamos do coração de Deus, mas ao mesmo tempo nos distanciamos do coração do Mundo.

Para sermos, de fato, igreja do futuro, temos que ter um coração no compasso do coração de Deus, ao mesmo tempo sensível aos anseios do coração dos homens.

Como profetas, trazemos a Palavra de Deus na linguagem dos homens. Como sacerdotes, apresentamos a Deus os anseios humanos na linguagem do céu.

Comunicação é isso: uma via de mão-dupla.

Se quisermos ser ouvidos, temos que aprender a ouvir.

Quero tomar dois exemplos bíblicos, um do Antigo e outro do Novo Testamento.

Em Daniel 2, lemos que Nabucodonosor, rei da Babilônia, teve um sonho e ninguém conseguiu interpretá-lo. Depois de recorrer inutilmente aos magos e sábios do seu reino, chegou a vez de Daniel. O rei sequer se lembrava do sonho que tivera. Sem dúvida, interpretar aquele sonho foi um dos maiores desafios enfrentados pelo profeta. Sua vida estava em jogo, juntamente com a de todos os sábios e magos da Babilônia.

Veja aonde Daniel foi buscar orientação e discernimento:

“Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; é quem muda os tempos e as horas, remove reis e estabelece reis; ela dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz. Ó Deus de meus pais, eu te louvo e celebro, porque me deste sabedoria e força; agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei” (Dn. 2:20-23).

Estaríamos buscando em Deus o discernimento para compreendermos os anseios dos corações?Estaríamos nos interessando o suficiente por assuntos que aparentemente não nos dizem respeito?

Não há assunto ou matéria que não interesse à igreja do futuro. Tudo o que diz respeito à humanidade e seus anseios, também diz respeito a nós.

Do Novo Testamento tiramos o exemplo de Filipe e o Eunuco Etíope.

Filipe estava desfrutando daquilo que hoje seria considerado o maior sucesso que um ministério poderia alcançar. Uma cidade inteira, antes contrário a qualquer coisa que viesse dos judeus, rendera-se ao amor de Cristo através da pregação de Filipe. De repente, o Espírito Santo o envia a um lugar deserto. “No caminho viu um etíope, eunuco e alto funcionário de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adorar. Regressava, e assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. Disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. Correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e perguntou: Entendes tu o que lês?” (At.8:27-30).

Filipe teve que deixar seu gueto, seu nicho, e ir para um lugar inóspito, deserto, para encontrar-se com um estrangeiro, negro e efeminado. Seus preconceitos foram postos à prova. Ao avistar o carro do Eunuco, o Espírito ordenou que se aparelhasse a ele. Pelo que tudo indica, o carro estava em movimento, e Filipe teve que correr para alcançá-lo.

Estaríamos dispostos a deixar nosso gueto religioso, nosso mundinho gospel, para ir ao encontro de gente totalmente diferente de nós?

Ao se aproximar, a primeira coisa que Filipe notou é que aquele homem estava lendo. O que nossa sociedade tem lido ultimamente? Que filmes tem assistido? Que música tem ouvido? Ora, se não prestarmos atenção, jamais saberemos.

O Eunuco lia as Escrituras. E isso certamente facilitou o processo de evangelização. Porém, hoje o Mundo à nossa volta está repleto de todo tipo de literatura. O que é que nossos jovens estão consumindo em termos de cultura em nossos dias?

A resposta a esta pergunta nos ajudará a compreender os anseios de seu coração.

Por isso, os componentes da igreja do futuro precisam se interar e se inserir na cultura popular. Em vez de ouvir música secular apenas para criticar ou mesmo , para se entreter, devemos ouvi-la em busca desses anseios.

Precisamos ser leitores vorazes. Ler de tudo, e não apenas literatura cristã. Ainda que não sejamos cinéfilos, devemos acompanhar o lançamento de filmes, bem como os programas televisivos, as peças teatrais, etc.

A cultura é uma das principais maneiras do homem expressar o que há em seu coração. E não temos que temer nos expor a ela. Lembre-se da admoestação de Paulo: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Ts.5:21). Você vai se impressionar quando se der conta de que a graça comum tem habilitado homens comuns a produzirem coisas maravilhosas. Particularmente, tenho encontrado verdadeiras pérolas em músicas seculares, que expressam não apenas o que está no coração dos homens, mas também o que está no coração de Deus.

Quando Filipe viu que o Eunuco lia Isaías, perguntou: “Entendes tu o que lês? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse, e com ele se assentasse” (vv.30-31).

Não basta correr para alcançar o carro, é necessário entrar nele. Não adianta brincar de apostar corrida com a cultura, temos que nos inserir nela.

O mundo necessita de tutores dispostos a assentar-se e explicar. E este é um dos papéis atribuídos à igreja de Cristo.

De que adianta distribuirmos Bíblias e literatura cristã, se não houver quem explique?

E para lograrmos êxito nessa empreitada, temos que reaprender a língua dos homens.

Veja o que diz Paulo:

“Assim também vós. Se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tantas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei estrangeiro para aquele a quem falo, e o que fala será estrangeiro para mim” (1 Co.14:9-11).

Ninguém falava mais em línguas angelicais do que os cristãos coríntios. Paulo teve que tratar com isso, pois transformaram o dom de línguas numa espécie de aferidor de espiritualidade. Apesar de ser tão abundante nos dons, a igreja de Corinto era também considerada a mais carnal. O que nos torna espirituais não é a abundância de dons, e sim a abundância de amor.

Tristemente, a igreja contemporânea está muito parecida com a de Corinto. O dom de línguas tornou-se coqueluche. E quem não fala em línguas é logo taxado de carnal, ou de crente de segunda classe. Usam as línguas para impressionarem e passarem uma imagem de espiritualidade.

Paulo arremata:

“Dou graças ao meu Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Todavia, eu antes quero falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em línguas” (1 Co.14:18-19).

Paulo parece recomendar uma economia de línguas espirituais em público, substituindo-a pelo uso de idiomas inteligíveis. Cabe aqui esclarecer que o dom de línguas recebido no dia de Pentecostes visava promover o entendimento, e não dificultá-lo.

A língua falada pelos cristãos no cenáculo não era de anjos, mas de homens. Repare no relato de Lucas:

“Todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. Correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua” (At.2:4-6).

Portanto, falar a língua dos homens é mais importante do que falar a língua dos anjos.

Paulo diz ainda que quando profetizamos, isto é, falamos das coisas de cima mas na linguagem aqui de baixo, os segredos do coração dos homens “ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto”, adorarão a Deus, “declarando que Deus está verdadeiramente entre vós” (1 Co. 14: 25).

É disso que precisamos: profetas! Gente que profira a palavra de Deus de maneira inteligível, e que vá de encontro aos anseios mais profundos da alma humana.

Gente como Daniel, que embora transite pelos corredores dos palácios da Babilônia, não come dos seus manjares, não negocie seus princípios, mas é capaz de discernir segredos do coração do rei, que nem mesmo ele discerne.

Nas palavras de Paulo, o espiritual não é aquele que se isola da cultura, que vive a falar em línguas angelicais, mas sim aquele que “discerne bem a tudo” (1 Co.2:15). O espiritual de Paulo equivale ao cristão maduro de Hebreus, “que pela prática, têm as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal” (Hb. 5:14). O instrumento que ele usa para tal alcançar tal discernimento é a Palavra de Deus, “viva e eficaz (...) apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb.4:12).

Que tenhamos um coração reinista, que consiga, ao mesmo tempo, bater no compasso do coração de Deus, e estar atendo e sensível aos anseios do coração dos homens.

A verdadeira Guerra dos Mundos

Era 30 de outubro de 1938. A rádio CBS e suas afiliadas de costa a costa dos Estados Unidos, transmitia, dentro do programa Radioteatro Mercury a peça “A invasão dos marcianos”.

Na adaptação da obra A Guerra dos Mundos do escritor inglês H. G. Wells, centenas de marcianos chegam em suas naves extraterrestres a uma pequena cidade de New Jersey chamada Grover's Mill. Era uma peça, literalmente. E a produção e direção do programa foram creditados ao então jovem e quase desconhecido ator e diretor de cinema norte-americano Orson Welles. O que os responsáveis pelo programa não poderiam imaginar foi a resposta imediata do público. Muitos ligaram seu rádio receptor depois da informação de que o que seria veiculado não passava de ficção. Resultado: acreditaram que as notícias eram reais. A Terra estava sendo invadida por alienígenas. Foi um corre-corre.

A CBS calculou na época que o programa foi ouvido por cerca de seis milhões de pessoas, das quais metade passou a sintonizá-lo quando já havia começado, perdendo a introdução que informava tratar-se do radioteatro semanal. Pelo menos 1,2 milhão tomaram a dramatização como fato, acreditando que estavam mesmo acompanhando uma reportagem extraordinária. E, desses, meio milhão tiveram certeza de que o perigo era iminente, entrando em pânico e agindo de forma a confirmar os fatos que estavam sendo narrados: sobrecarga de linhas telefônicas interrompendo realmente as comunicações, aglomerações nas ruas, congestionamentos de trânsito provocados por ouvintes apavorados tentando fugir do perigo que lhes parecia real, etc. O medo paralisou três cidades. Pânico ocorreu principalmente em localidades próximas a Nova Jersey, de onde a CBS emitia e Welles situou sua história. Houve fuga em massa e reações desesperadas de moradores de Newark e Nova York (além de Nova Jersey), que sofreram a invasão virtual dos marcianos da história.

Tudo não passava de um enorme mal-entendido, que acabou por demonstrar o extraordinário poder dos veículos de comunicação em massa.

Basta uma leitura superficial das Escrituras, pra nos dar conta de que há dois mundos em conflito.

Fique tranqüilo que o assunto do qual quero tratar não envolve invasão alienígena. Não se trata de uma guerra entre nosso mundo e habitantes de outro planeta ou mesmo de outro plano espiritual.

Também não vou tratar de “batalha espiritual”, assunto que nos anos 80 e 90 alcançou o apogeu entre os evangélicos, por conta do sucesso obtido pelo romance “Este Mundo Tenebroso”, do escritor norte-americano Frank Peretti. Infelizmente, o que não passava de ficção, acabou gerando verdadeiras aberrações doutrinárias. Um exemplo mais recente disso é o efeito provocado pela série “Deixados pra trás”, de Tim LaHaye and Jerry Jenkins. Parece que a tendência de se confundir ficção com realidade não diminuiu desde 1938.

Deixando a ficção, e retornando à realidade, constatamos pelas Escrituras que vivemos em meio a uma guerra entre dois mundos , ainda que não estejamos inteiramente conscientes disso.
Há um mundo que é alvo da justa ira de Deus, e que somos proibidos de amá-lo (1 Jo.2:15). Mas também há um mundo que é de tal forma amado por Deus, que Ele foi capaz de enviar Seu unigênito para salvá-lo (Jo.3:16).

O mundo que devemos rejeitar não começou na Criação, mas na Queda. Tendo Adão como pedra de esquina, esse “mundo” está sustentado sobre três pilares: a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida (1 Jo.2:16). É, por assim dizer, uma deformidade, uma anomalia, uma espécie de tumor maligno destinado a ser extirpado.

De acordo com João, esse “mundo” jaz no maligno (1 Jo.5:19). Portanto, ele está irremediavelmente morto. O golpe fatal que o levou à morte foi desferido na Cruz. Por isso Paulo diz que o mundo estava crucificado para ele (Gl.6:14). Embora morto, tem aparência de que ainda vive. Mas é apenas isso: aparência.

Quando alguém morre, algumas das funções do organismo continuam por algum tempo. As ordens enviadas pelo cérebro antes de parar devem ser atendidas pelos órgãos. Por isso, as unhas e os pelos continuam a crescer. Até o aparelho digestivo mantém o funcionamento (isso explica o fenômeno do “pum” liberado por alguns defuntos durante o velório, causando enorme susto nos presentes). Todavia, o coração e o cérebro pararam. Portanto, não há sinais vitais ali. Só restou a aparência.

Assim sucede ao mundo começado em Adão. Ele está morto! Não há sinais vitais. Não há esperança para ele. Como a igreja de Sardes descrita em Apocalipse, o mundo tem aparência de estar vivo, mas está morto (Ap.3:1).

Definitivamente, não pertencemos a esse “mundo”. Fomos desarraigados dele (Gl.1:4). Se Deus nos deixasse presos a ele, estaríamos fadados ao mesmo destino que ele. Seria como se agarrar a algo que está afundando.

Nas palavras de Paulo, fomos arrebatados do império das trevas, e transportados para outro Mundo, chamado também de reino de Deus (Col.1:12-13).

Não esperamos por um arrebatamento secreto. Já fomos arrebatados!

Somos cidadãos de um extraordinário mundo novo.

Este mundo novo não se encontra em outro lugar do Universo, nem mesmo em outro plano espiritual. Esse “mundo” pertence ao futuro.

O primeiro mundo é fundamentado em Adão, é representado pela Torre de Babel, e edificado em torno dos interesses humanos. O novo mundo é fundamento no novo Adão, Jesus Cristo, é representado pelo Pentecostes e edificado em torno do Trono de Deus.

De acordo com o escritor de Hebreus, os discípulos de Jesus experimentaram “os poderes do mundo vindouro” (Hb.6:5).

Embora esteja no porvir, os poderes desse novo mundo vieram do futuro ao encontro de um povo, a igreja, a fim de servir-lhe como força propulsora, impulsionando-a em direção ao alvo: o estabelecimento de uma nova civilização, centrada em Cristo, edificada ao redor do Seu trono de amor e graça.

O fenômeno ocorrido no Dia de Pentecostes foi uma subversão da ordem natural do tempo. O futuro nos visitou!

Quando o Espírito do Futuro nos visitou, Ele constituiu um povo pertencente a uma nova ordem de coisas. A Igreja é este povo que foi desarraigado deste “presente século” (Gl.1:4), para anunciar a glória do Mundo do porvir.

A palavra “século” vem do grego aión, e pode ser traduzida por mundo, ou ainda por Era.
Uma das principais características da Igreja é ser voltada para o futuro. O próprio nome “ekklesia” significa “voltados para fora”. Portanto, ela não vive nem para si mesma, nem para o presente em que está inserida; ela vive em função do futuro. É de lá que ela vem. Ela não pertence a este tempo.

Uma igreja voltada para o futuro não pauta suas ações apenas nos resultados imediatos, mas principalmente nos resultados que serão colhidos à médio e longo prazo pelas próximas gerações.

Tudo o que Deus tem feito por meio dela tem como propósito “mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça” (Ef.2:7). A propósito, isso demonstra que o fim do mundo jamais foi a expectativa dos cristãos primitivos. Paulo e os demais criam que a História estava só começando. Quem fala de "séculos vindouros", não pode está esperando o fim dos tempos.

Não devemos entender “futuro” como aquilo que virá depois que a História for encerrada.

Futuro é aquilo que precisa ser construído. Ainda que do ponto de vista de Deus tal futuro já seja real, para nós é algo a ser alcançado, e pelo qual devemos trabalhar.

“Reino de Deus” é outro nome usado para o mundo futuro. Ele não é deste século. Ele pertence ao futuro, ao mundo porvir. Porém, não temos que simplesmente esperá-lo. Ele já está entre nós.
O velho mundo foi confiado aos anjos, porém o novo mundo está unicamente submetido ao Cristo de Deus. Por isso, o escritor sagrado declara: “Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos” (Hb.2:5). Deixamos de ser tutelados pelos anjos, para estarmos sujeitos diretamente ao Pai, através do Filho (Gl. 3:19; 4:1-5). Veja que dado interessante: o verbo “sujeitar” está no passado, subentendo que é algo já ocorrido. O mundo futuro já foi sujeitado a Cristo. O que está por vir, já veio. O futuro já começou!

Para que este maravilhoso Mundo Novo tivesse garantida a sua existência, o Cordeiro teve que ser imolado antes de todos os antes.

“Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos BENS FUTUROS, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” (Hb.9:11).

É interessante notar que algumas versões trazem “bens já realizados”, enquanto outras trazem “bens futuros”. Da perspectiva divina, o futuro já se consumou.

Através de Seu próprio sangue, Cristo adentrou o mais sagrado dos recintos do Universo: o Santo dos Santos. Lá não há passado, presente ou futuro, e ao mesmo tempo, lá o lugar de convergência, onde todos os tempos se encontram. O Santo dos Santos não é apenas um lugar, é a total ausência de tempo e de espaço. O que os físicos modernos chamam de vácuo quântico.
O escritor sagrado nos informe que “Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, AGORA, por nós, perante a face de Deus” (Hb.9:24). Este “agora” é a síntese perfeita de todos os “agoras”, de todos os “antes” e “depois”.

O sacrifício de Cristo não poderia ter se dado em outra época. Ele tinha que acontecer na “plenitude dos tempos”, ou ainda, na “consumação dos séculos”. Um portal se abriu no tempo e no espaço, um portal entre o Cronos e o Kairós. A abertura deste portal é representada pelo rompimento do véu que separava o Santo dos Santos do resto do Templo.

Por isso, o sacrifício de Cristo tem caráter definitivo. Diferente dos sacrifícios levíticos, que tinham quer repetidos todos os anos. Esses sacrifícios eram apenas a pálida representação do que deveria ocorrer na Plenitude dos Tempos, e que garantiria a realização dos bens futuros.

Observe o que diz o escritor:

“Porque tendo a lei a sombra dos BENS FUTUROS, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb.10:1).

Sacrifícios feitos dentro do tempo não podem garantir bens futuros. Somente um sacrifício feito fora do tempo e do espaço.

Foi por este mesmo portal que os poderes do mundo vindouro invadiram a presente Era.
Que “poderes” seriam estes?

Em Efésios 6:12, lemos acerca dos “poderes deste mundo tenebroso”. Em 1 Coríntios 2:6, lemos sobre os “poderosos deste mundo, que se aniquilam”.

O fato é que tais poderes foram destituídos, quando Cristo verteu Seu sangue no Madeiro.

Porém, eles se valem da ignorância das pessoas, para mantê-las sob o seu domínio maléfico e patético.

Urge declarar ao mundo que tais poderes foram depostos, e que os reinos deste mundo vieram a ser do Senhor e do Seu Cristo.

A bem da verdade, todos nós, enquanto ignorantes, estivemos sob o domínios de tais poderes, andando “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef.2:2).

Porém agora, fomos ressuscitados com Cristo, e estamos assentados nas regiões celestiais, “acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” (Ef.1:21).

Fomos instituídos no lugar deixado vago por aqueles que foram destituídos. Somos agora os representantes do futuro, anunciando a soberania d’Aquele que era, que é e que há de vir. Não se trata de ficção teológica ou científica, mas de fato inconteste, respaldado pelas Escrituras.

Os poderes do mundo tenebroso tentam nos acorrentar ao passado, através de suas acusações. Os poderes do mundo vindouro nos convocam a trabalhar pelo futuro.

Os poderes do mundo tenebroso se alimentam do pó da terra; os poderes do mundo vindouro se projetam nas estrelas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

I Fórum Igreja do Futuro


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Convite Especial para o I Fórum Igreja do Futuro

Caro companheiro de jornada ministerial, paz e bem.

Convido-o para participar do I Fórum Igreja do Futuro - Por uma Igreja à frente do seu tempo, que acontecerá no dia 7 de Março, sábado, em duas sessões, às 10h. e às 14h. no Auditório do Colégio Souza Marques, na Avenida Ernani Cardoso, 345, Cascadura, Rio de Janeiro (em frente ao Wal Mart). O Fórum será aberto a todas as pessoas que amam e trabalham pela expansão do Reino de Deus.

O mundo passa por profundas transformações, provocando o surgimento de novas questões. Se não nos contextualizarmos, corremos o risco de perdermos a pertinência e a eficiência profética.

A mensagem do Evangelho é inalterável, porém, sua aplicação deve ser precisa, buscando ir de encontro aos anseios humanos contemporâneos.

Jesus usou abordagens diferentes em contextos distintos. Para a mulher samaritana, Ele ofereceu "água da vida". A Nicodemos, falou sobre o novo nascimento. Ao jovem rico ordenou que renunciasse tudo para segui-lO. A mensagem era a mesma, porém
a aplicação variava de acordo com o contexto.

Não podemos simplesmente oferecer respostas à perguntas que não estão sendo formuladas.

Quais são as questões pertinentes da pós-modernidade?

Estamos prontos para as novas gerações e suas demandas?

Temos sido uma igreja reativa ou proativa?

Estas e outras questões serão debatidas em um ambiente de cordialidade e comunhão, que pretende reunir lideranças de vários seguimentos cristãos.

Você também poderá adquirir o ingresso na entrada do evento a um preço de R$ 15,00. Como brinde, você receberá um exemplar do nosso novo lançamento "Por tudo que é Sagrado".

Teremos a presença de diversas lideranças que comporão a mesa de debates.
Todos terão oportunidade de participar ativamente do Fórum.

Que o Rei de todos os séculos possa despertar-nos para este novo tempo.

N'Ele.

Rev. Hermes C. Fernandes
Presidente do Instituto Defensores do Futuro
Bispo da REINA